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Helen Roseveare - a missionária ultrajada no Congo












Na metade do século XX, a necessidade vital da inclusão de mulheres nas missões era um fato aceito e praticamente nenhuma área do mundo deixara de ser penetrada por essas enérgicas pioneiras.

Uma dessas grandes pioneiras foi Helen Roseveare que nasceu na Inglaterra em 1925, no seio de uma família orgulhosa e respeitada em Cornwall por muitas gerações. Seu pai fora nomeado cavaleiro por seu serviço patriótico durante a guerra, era um renomado matemático, grandemente interessado na educação de seus filhos.

Aos doze anos Helen passou a frequentar uma escola exclusiva para meninas e depois partiu para Cambridge onde formou-se em medicina. Foi ali que ela passou pela experiência de conversão que a fez afastar-se de sua fé anglo-católica e juntar-se às fileiras do evangelismo.

Os irmãos do pai e a irmã da mãe de Helen, haviam servido como missionários e desde a infância ela desejara ser também missionária. Esse dia dia chegou em 1953, quando navegou para o Congo a fim de servir ali com a Cruzada de Evangelização Mundial.

Apesar das dificuldades Helen amava seu trabalho. Ela gostava especialmente de ensinar os africanos e os ajudava na área da saúde. Helen passou a conviver mais com as africanas do que com suas colegas missionárias, e um pastor africano passou a ser seu conselheiro espiritual, algo que seus companheiros não entendiam e também não aceitavam.

Em 1958, depois de cinco anos no Congo, ensinando, evangelizando, cavando poços, limpando valas e queimando tijolos para as construções, Helen desiludida e perseguida pelos seus companheiros de trabalho aceitou ir de férias para a Inglaterra.

Helen tinha desejo de retornar para o Congo com um marido, mas tal coisa não aconteceu. "Deus permitiu que eu fizesse muitas coisas e acabei numa grande confusão. Deus graciosamente me puxou de volta e a missão aceitou o meu retorno para o Congo".

O retorno de Helen para o Congo em 1960, coincidiu com a independência longamente desejada pelo país. Foi uma época constrangedora para os brancos e muitos missionários consideravam os riscos elevados demais. Alguns partiram imediatamente para seus país de origem com suas famílias, Helen porém, não pretendia voltar para casa.

Notícias de ataques a outros missionários chegavam periodicamente, inclusive relatórios sobre missionários que haviam sofrido nas mãos dos rebeldes. A própria Helen em uma ocasião foi roubada e tentaram envenená-la, mas para ela a situação melhorava sempre - e mesmo que isso não acontecesse, muitas pessoas dependiam dela. Tinha então que ficar.

No verão de 1964, o Congo se achava em plena e sangrenta guerra civil, e os rebeldes Simba, dominavam povoado por povoado. No dia 15 de Agosto, o posto missionário de Nebobongo foi ocupado por soldados e durante cinco meses Helen ficou prisioneira, embora permanecesse no posto e vivendo em sua própria casa até o mês de Novembro.

Atrocidades brutais foram cometidas e poucos brancos escaparam à violência e carnificina. Helen não foi uma exceção. Na noite de 29 de Outubro, enquanto o posto se encontrava sob domínio dos rebeldes, ela foi dominada por um soldado rebelde em seu pequeno bangalô em Nebobongo.

Aquela foi uma noite de horror. Ela tentou escapar, mas não conseguiu: "Eles me descobriram puseram-me em pé, bateram em minha cabeça e ombros, atiraram-me no chão, deram-me pontapés, levantaram-me outra vez apenas para voltar a espancar-me - a dor nauseante de um dente quebrado, na boca cheia de sangue pegajoso, dos óculos desaparecidos. Fora de mim, entorpecida de horror e medo desconhecido, empurrada, arrastada, levada de volta à minha casa - ouvindo gritos, insultos, maldições".

Uma vez dentro da casa, tudo acabou em minutos. Conforme o biógrafo, o soldado "forçou-a de costas no leito, caindo sobre ela... A vontade de resistir e lutar lhe faltou, por não ter mais forças, mas ela gritou várias vezes... O ato brutal de estrupo foi realizado com vigor animal e sem misericórdia"

"Deus meu, Deus meu por que me desamparaste?" Essas palavras soaram repetidamente através da consciência entorpecida de Helen. Embora jamais pudesse ter compreendido na ocasião, o terrível ultraje sofrido em seu corpo, seu nível de maturidade espiritual deu-lhe completa segurança de que não falhara com Deus nem havia perdido de forma alguma qualquer suposta pureza por causa do estrupo.

O que quer que tivesse sofrido fisicamente, seu relacionamento com Deus não ficara prejudicado. Durante meses Helen enfrentara a ameaça diária de morte, mas foi resgatada e voltou para sua pátria e mal sabia tratar com sua recém-liberdade e o rude choque de estar de volta ao seu país natal.

A principio a idéia de voltar para o Congo parecia remota, mas à medida que a situação política melhorava e cartas de colaboradores e amigos africanos chegavam, o chamado da África tornou-se intenso. Ela era agora mais necessária do que nunca. Como dizer não?

Helen voltou à África em março de 1966 para reassumir seu cargo de missionária médica e especialmente seu trabalho de treinar nativos. Sua chegada à missão no Congo foi celebrada com alegria, mas ela descobriu que a vida no Congo jamais voltaria a ser a mesma - o nacionalismo penetrara em todos os segmentos da sociedade, inclusive a igreja, e não mais havia um sentimento automático de respeito e admiração - especialmente por parte da geração mais jovem para com a médica que sacrificara tanto pelo Congo.

Seu período de sete anos de trabalho foi repleto de turbulência e decepções. Os negros passaram a dominar e por ser branca, foi-lhe negada a autoridade que precisava como professora. Os alunos a desafiavam rudemente em quase todos os assuntos.

Apesar de seu notável sacrifício e grandes realizações durante esses sete anos, Helen deixou a África em 1973 com espírito quebrantado. Os alunos haviam-se rebelado contra sua autoridade e até mesmo seus colegas duvidaram de sua capacidade de liderança.

Foi uma tragédia, pelo menos em termos humanos, o fato de que seus vinte anos de serviço na África terminassem de tal forma. "Quando soube que estava deixando o campo missionário e voltando para casa, que um casal de médicos jovens iria substituir-me na escola e que um colega africano seria o novo diretor do hospital, organizei uma festa  para recepcionar os que iriam substituir-me, mas o corpo de alunos entrou em greve e tive de demitir-me da escola onde fora diretora durante vinte anos.

Helen voltou para casa e enfrentou um "período muitíssimo solitário"em sua vida; mas, como acontecera antes com tantas outras experiências decepcionantes, ela voltou-se para Deus. Em lugar de amargura surgiu um novo espírito de humildade e uma nova apreciação pelo que Jesus fizera em seu favor na cruz.

Nos anos que se seguiram Helen tornou-se uma conferencista muito solicitada e aclamada internacionalmente, fazendo palestras sobre missões cristãs e vivenciando a verdade bíblica: "Mas em todas essas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou" (Rm 8.37).


Helen no dia de sua libertação
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Item Reviewed: Helen Roseveare - a missionária ultrajada no Congo Rating: 5 Reviewed By: Pr. Antonio Romero Filho