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As Cinzas da Novilha Vermelha

As Cinzas da Novilha Vermelha


Diversos jornais ao redor do mundo relataram a agitação criada em março de 2002 pelo nascimento de uma novilha vermelha. Nascida em uma fazenda perto de Haifa, Israel, esta novilha, inspecionada e "aprovada" por 25 peritos rabínicos, se tornou o foco de grande interesse e controvérsia. De acordo com fontes judaicas nenhuma novilha vermelha sem defeitos nasceu em Israel desde a Queda de Jerusalém em 70 dC. Uma ativista judia disse: "Nós temos esperado por um sinal de Deus por 2.000 anos, e agora Ele nos deu uma novilha vermelha”. A novilha é, portanto, visto como um sinal da iminente vinda do Messias e o restabelecimento do Templo com seu sistema de sacrifícios. Grupos cristãos Milenistas, por outro lado, veem o nascimento da novilha como um sinal da Segunda Vinda de Jesus para estabelecer o reino e reinado milenar.

Judeus seculares tem desejado e afirmado que a jovem vaca desapareceria; alguns até sugeriram que ela fosse destruída para evitar uma guerra em potencial. Os Árabes, que controlam o Monte do Templo, estão nervosos porque acreditam que os judeus usam a novilha como uma desculpa para destruir o Domo da Rocha islâmico. Extremistas judeus fizeram várias tentativas de destruir a Mesquita desde o início de 1980 - quando não havia novilha vermelha. Assim, o jovem bovino é visto como uma faísca para a violência contra o santuário árabe. E a ameaça é real. Seja judaica ou cristã, qualquer antecipação moderna do restabelecimento da cerimônia da novilha vermelha está mal fundamentada.
Rabino inspecionando a Novilha Vermelha
Um Olhar na Cerimônia

Números 19 descreve a importante cerimônia da novilha vermelha. Uma novilha vermelha sem defeitos e que nunca tinha estado sob jugo deveria ser levada para fora do arraial e em seguida sacrificada. Então, ela era queimada e o sacerdote deveria lançar pau de cedro, hissopo, e carmesim no fogo que a queimava. Quando a carcaça era consumida, as cinzas eram recolhidas. Para a cerimônia de purificação, adicionava-se água pura à algumas das cinzas do sacrifício da novilha. A pasta adquirida era aplicada a qualquer pessoa que tivesse entrado em contato com um organismo morto. Existem várias características distintivas da cerimônia da novilha vermelha. Este era o único sacrifício do sistema de Israel que era oferecido fora dos limites da cidade. [1] Além disso, é interessante notar que a pessoa que oferecia o sacrifício tornava-se imunda e aquele a quem ela era aplicada tornava-se limpo.

Este era o único sacrifício no qual o sangue do animal era queimado, e a única oferta em que a combustão era o ato preliminar. [2] Em todos os outros sacrifícios a combustão era o ato culminante ou final do sacrifício, depois que o sangue já tinha sido oferecido. Finalmente, as cinzas da novilha vermelha eram para a limpeza da corrupção da morte. [3] O que é importantíssimo sobre o sacrifício da novilha vermelha é que Jesus cumpriu seu significado profético.

Jesus e o Sacrifício da Novilha Vermelha

A paixão de Jesus cumpre os elementos tipológicos [proféticos] do sacrifício da novilha vermelha. A novilha deveria ser morta fora da cidade, Jesus “padeceu fora da porta” (Hebreus 13:12). Segundo um historiador, a novilha era levada para o Monte das Oliveiras e então sacrificada. [4] A oração da paixão de Jesus no Getsêmani ocorreu no Monte das Oliveiras (Mateus 26:30). A novilha deveria ser completamente consumida. Jesus se deu por completo em sacrifício. As cinzas da novilha deveriam ser recolhidas por alguém purificado e então armazenadas em um local limpo. José de Arimatéia, um homem devoto, carregou o "corpo de Jesus e o colocou num sepulcro novo, que nunca havia sido profanado” (João 19:41). As cinzas da novilha deveriam ser armazenadas fora da cidade (João 19:41); O corpo de Jesus foi colocado no túmulo fora da cidade.

Durante o sacrifício da novilha adicionava-se hissopo, cedro e carmesim. Enquanto que no julgamento de Jesus, colocaram um manto escarlate sobre ele (Mateus 27:28). Quando ele estava pendurado na cruz e reclamou de sede. Os soldados puseram numa cana de hissopo uma esponja ensopada de vinagre, e lha chegaram à boca (João 19:29).[5] As cinzas da novilha vermelha eram aplicadas à pessoa impura em duas etapas, no terceiro dia e no sétimo dia (Números 19:12). Havia então um processo "já-mas-ainda-não" de limpeza da corrupção da morte. Da mesma forma, o Novo Testamento afirma que Jesus destruiu a morte com a sua morte (2 Timóteo 1:9-10), mas destruiria a morte em sua segunda vinda, (1 Coríntios 15:24-28)[6]. Este foi o "já-mas-ainda-não" da ressurreição. O sacrifício de Jesus cumpre o significado profético do sacrifício da novilha vermelha.

Libertação da Morte

O autor de Hebreus declara o propósito do sacrifício de Jesus: "Para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo” (Hebreus 2:14). Esta é uma referência implícita ao sacrifício da novilha vermelha? Este sacrifício era, mais do que qualquer outro, dedicado à libertação da corrupção da morte.

Hebreus 9:13-14 diz: “Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” Hebreus 9:13-14 deve ser visto como um "texto da ressurreição" expondo a realidade da vida da ressurreição em Jesus. Ele proporciona limpeza da consciência e libertação das “obras mortas”.

Libertação de Obras Mortas

Libertação de "obras mortas" significa libertação de "obras ou condutas que levam à morte ao invés de levarem à vida". [7] Para o judeu, isso incluía a libertação do Sistema da Antiga Aliança, porque, embora gloriosa, a Antiga Aliança era o "ministério da morte" (2 Coríntios 3:6), e não poderia dar a vida (Gálatas 3:20-21). Para os gentios, a libertação significava a liberdade daquilo que os havia “matado”; “Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Efésios 2:1), disse Paulo aos Gentios de Éfeso a respeito da conversão deles a Cristo. Em Cristo encontramos a "herança eterna" (Hebreus 9:15). Para colocar de forma sucinta: "O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna" (Romanos 6:23).

Implicações na Ressurreição

A novilha vermelha era para a libertação da morte; o sacrifício de Jesus é para a libertação da morte. O sacrifício de Jesus é eficaz espiritualmente, algo que a cerimônia da novilha vermelha só podia tipificar. Por Jesus ter morrido para nos livrar da morte (Hebreus 2:14), e por seu sacrifício ser eficaz, podemos dizer que estamos livres da morte sem hesitar.

Hebreus se baseia nas imagens dos sacrifícios da Antiga Aliança: “Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura” (Hebreus 10:22). Os sacrifícios da Antiga Aliança eram aplicados pela aspersão do sangue e a lavagem do corpo, nunca poderiam limpar a consciência e nem libertar da morte (Hebreus 9:9; 10:1-4).

O sangue de Jesus, porém, é aplicado aos nossos corações no momento em que nossos corpos são "lavados com água pura”. Esta é uma clara referência ao batismo. Em Romanos 6:3-4, o escritor diz que os batizados em Cristo se unem com sua morte, sepultamento e ressurreição; eles são levantados para andar em novidade de vida. Vida de ressurreição é para aqueles que entram no poder de sua ressurreição.

O apóstolo afirma em Colossenses 2:11-13 que no batismo o crente é "sepultado" com Cristo e "ressuscitado pela fé no poder de Deus". Ele também diz que, neste momento "vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, [Deus] vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos”. Aqui está a libertação da morte pelo poder do sacrifício de Jesus.

A Tragédia Moderna

Tanto judeus como cristãos dispensacionalistas estão empolgados com o nascimento da novilha vermelha em Israel. Embora com perspectivas diferentes, ambos os grupos preveem o restabelecimento do sacrifício da novilha vermelha. Ambos os grupos não conseguem ver em Jesus o cumprimento e fim desse sacrifício.

Deus decretou que o Antigo Testamento passaria quando fosse plenamente cumprido, (Mateus 5:17-18). Se Cristo não cumpriu o aspecto profético do sacrifício da novilha vermelha por completo, a antiga lei ainda está em vigor. Portanto, se a morte não foi completamente removida, a lei ainda está em vigor. Se ele cumpriu o elemento profético daquela oferta, a antiga lei já passou - e a morte foi abolida.

Em Colossenses 2:14-16 e Hebreus 10:1-4 o escritor diz que os sacrifícios da Antiga Aliança eram "sombras das coisas vindouras”. Ambas as passagens também dizem que Jesus é a substância ou realidade para a qual essas sombras apontavam. Assim, a conclusão da obra de Jesus seria um sinal do término da Antiga Aliança e seu sistema de sacrifícios. Deus nunca pretendeu que os sacrifícios de animais permanecessem para sempre: "Tu não quiseste sacrifício e oferenda" (Hebreus 10:5). O propósito de Deus com as ofertas era antecipar para Israel o sacrifício final, Jesus. Ele é o perfeito sacrifício pelo pecado, feito uma só vez, de uma vez por todas, ( Hebreus 10:1-12).

Enquanto o sistema antigo - incluindo o sacrifício da novilha vermelha - permaneceu, o homem não poderia [pode!] ter acesso a Deus (Hebreus 9:6-10). Esse sistema antigo só seria válido até "o tempo da reforma”, (Hebreus 9:10), [8], mas este sistema estava "pronto para desaparecer" quando Hebreus foi escrito, (Hebreus 8:13).

No primeiro século, alguns cristãos judeus estavam abandonando a Cristo para voltar à observância da lei da Antiga Aliança. O escritor de Hebreus disse que fazer isto era apostatar e "crucificar novamente o filho de Deus” (Hebreus 6:4-6). Todas as tentativas de restabelecer o sacrifício da novilha vermelha são equivalentes a uma rejeição do sacrifício de Cristo. Seu sacrifício realiza a libertação do pecado e da morte. Simplificando, se o sacrifício de Cristo nos liberta do pecado, ele nos livra da morte. O sacrifício de Cristo não carece de nada. O Restabelecimento do sacrifício da novilha vermelha não poderia acrescentar nada a ele.

O sacrifício de Cristo é a realidade prevista pela "sombra" da oferta da novilha vermelha. O sacrifício de Cristo é melhor do que o holocausto da novilha vermelha, (Hebreus 9:13-14)[9]. A restauração do sacrifício da novilha vermelha seria a retomada de um sistema inferior. As cinzas da novilha vermelha "santificavam para a purificação da carne”. O sacrifício de Jesus purifica a consciência.

A limpeza do sacrifício da novilha vermelha limpava da corrupção da morte física. O sacrifício de Cristo dá a vida eterna (Hebreus 9:15). Jeová nunca teve prazer em "holocaustos e sacrifícios pelo pecado” (Hebreus 10:6-7). Buscar a restauração desses sacrificios é voltar para o que ele nunca quis. A morte de Cristo e sua parousia destruiram a morte e trouxeram a vida à realidade plena. As sombras do velho sistema deram lugar à realidade.

O sacrifício de Jesus é superior ao sacrifício da novilha vermelha. Jesus é o cumprimento do sistema de sacrifício da Antiga Aliança de Israel. Jesus é a cessação do sistema da Antiga Aliança. Não sejamos culpados de rejeitar a perfeita e eficaz libertação da morte por causa de um zelo sobre o nascimento de uma novilha vermelha em Israel. O sacrifício da novilha vermelha - ou de mil delas - nunca poderá igualar o sacrifício de Jesus.

Autor: Don K Preston
Tradução: Paulo Tiago Moreira Gonçalves

Notas:

1. Os restos de outros sacrifícios deveriam ser queimados fora da cidade, Levítico 4:11-12; 9:13, etc. Mas esta era a eliminação, não o sacrifício. A novilha vermelha deveria ser morta fora do arraial.

2. Outro sacrifício da novilha vermelha envolvia a quebra de seu pescoço e não a combustão. Se um cadáver fosse encontrado perto de uma cidade, os "chefes da cidade" deveriam oferecer a novilha como uma limpeza para a corrupção daquela morte e para limparem-se de qualquer culpa, (Deuteronômio 21:1-9).

3. Números 19:9 diz que as cinzas eram para a purificação do pecado. No entanto, a principal ênfase do texto é a limpeza da corrupção da morte. Curiosamente, a maioria dos comentaristas ignoram isso e focam na purificação do pecado.

4. Joachim Jeremias, Jerusalém na época de Jesus, (Philadelphia: Fortress, 1969): 50

5. Até agora não fui capaz de identificar o "cedro", que corresponderia ao sacrifício da novilha vermelha. Alguns têm sugerido que o cedro era a cruz, a inscrição na cruz, ou até mesmo o cedro do Templo. Qualquer ajuda por parte dos leitores seria apreciada.

6. O "processo" de "morte da morte" não pode ser negado. As Escrituras afirmam que, por meio de sua morte Jesus destruiu a morte, Hebreus 2:14, 2 Timóteo 1:9-10. Todavia, a Escritura também diz que a morte seria destruída na parousia, 1 Coríntios 15:24-28. Estes não são dois tipos diferentes de morte, espiritual e física, mas um processo iniciado e consumado. A consumação foi possível pela iniciação.

7. Max R. King "A Palavra do Princípio de Cristo: Um Estudo das Raízes do Antigo Testamento do Cristianismo", Parte IV, presença viva, vol. 6, N ° 4 (Novembro, 1995): 7. As "obras mortas" não eram a lei em si, mas a servidão ao que não poderia livrar da morte.

8. Dwight Pentecost ignora Hebreus 9:10 e um tempo de reforma por causa de seu milenarismo. Dwight Pentecost, Things to Come (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1958). Isto é importante porque a idade atual não pode ser o tempo de reforma conforme o milenarismo. Isto seria admitir demais. No entanto, o milênio não pode ser a reforma, porque isso significaria que a Velha Aliança teria de estar necessariamente em vigor agora e, em seguida, passar com a chegada do milênio. No entanto, o milenarista insiste que os sacrifícios são restaurados no milênio. Este é um grande enigma para o milenarista.

9. Em termos teológicos um holocausto é uma oferta queimada.
 
Fonte: http://profetaseprofecias.blogspot.com.br/
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Item Reviewed: As Cinzas da Novilha Vermelha Rating: 5 Reviewed By: Pr. Antonio Romero Filho