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O Choque Cultural no aprendizado do idioma - "sem ter o que responder!"



1. A RELEVÂNCIA DO APRENDIZADO E USO DA LÍNGUA

A relevância do aprendizado e uso da língua falada pelo povo com o qual você tenciona interagir é acentuada, seja para uma boa interação social ou para o desenvolvimento de um projeto. Nenhuma pessoa poderá de fato comunicar uma mensagem relevante, profunda e complexa, senão na língua daquele que ouve. Qualquer outra tentativa, mesmo que pontualmente viável, virá com certo grau de frustração e prejuízo.    

Um dos maiores equívocos no processo do aprendizado de uma nova língua é distinguir a aquisição lingüística da aquisição cultural. A língua é uma expressão cultural e, deste modo, está revestida de simbolismos, cosmovisão, costumes e história. Aprender uma língua em ambiente de gabinete dificilmente levará alguém ao trânsito livre entre o povo-alvo. É necessário, portanto, que a aquisição cultural caminhe de mãos dadas com a aquisição linguística.

2. ADAPTAÇÃO CULTURAL E O APRENDIZADO DE LÍNGUAS

O chamado choque cultural é um fator reacionário que pode inibir o aprendizado de uma nova língua. Nesta   fase, se for acentuada, o estudante passa a ter dificuldades de estar e transitar entre o povo. Também não se sente fortalecido emocionalmente o suficiente para aprender a nova língua com alegria. Algumas atitudes colaboram para que você possa tanto se adaptar melhor ao novo contexto quanto à nova língua. Vão adiante alguns conselhos. Considerações culturais no aprendizado da língua:
   
Não faça de sua moradia um lugar de refúgio.

Portanto, transite pela comunidade, esteja (se possível) na casa das pessoas e vizinhos, reúna-se com outros em lugares públicos e freqüente seus ambientes de trabalho. Quando a casa se torna um local de refúgio a tendência do estudante de uma nova língua, que se encontra em ambiente distinto, é criar ali um cenário de exclusão, ausente do povo. Abra as portas de sua casa (respeitando os seus próprios limites de privacidade) para que eles também freqüentem sua habitação.

Controle a visão crítico-comparativa.                                                                                                       

Ela pode impedir uma adaptação mais rápida e fácil. Comparar os elementos de vivência (moradia, relacionamento, perfil, alimentação, etc.) do grupoalvo, ou de seu ambiente, com a sua cidade, casa ou país é um erro fatal que gerará apenas um coração pesado com dificuldade de aproveitar as belas oportunidades de convivência e aprendizado.  

Não transforme o seu companheiro em intérprete cultural e lingüístico.

É natural que, se vocês forem casados ou companheiros de estudo dessa nova língua, um se desenvolva mais rapidamente que o outro. Raramente pessoas caminham no mesmo ritmo. Assim, não transforme o seu companheiro de estudo, que estiver um pouco mais à frente ou demonstre mais facilidade, em seu intérprete cultural e lingüístico. Tenha suas próprias experiências, cometa seus próprios erros e se relacione diretamente com o povo.          

Lembre-se que o povo é a melhor fonte de informação, e na coleta dessa informação (mesmo que já esteja acessível com o companheiro ao lado) você ganha na interação humana, relacionamento e aprendizado lingüístico. Ande diariamente dentro da circunferência cultural. Exponha-se ao povo, cultura e ambiente onde você está inserido no aprendizado de uma nova língua.

Planeje que horário você irá sair, diariamente, para andar e estar na circunferência cultural. Este planejamento é importante sobretudo para aqueles que são mais retraídos ou preferem estar em casa. Ao se relacionar com outras pessoas e praticar a língua que está aprendendo saiba que cometerá muitos erros, eles são necessários neste processo.   

Tenha senso de humor. Mantenha-se aberto a novos costumes e sistemas.

O tempo e a forma irão mudar se você estiver inserido em um povo com grave distinção cultural. E talvez estes dois, tempo e forma, sejam os elementos que mais geram desconforto. Se a forma de transmitir conhecimento é por meio da repetição, em um ambiente de tempo cíclico por exemplo, acostumese a ouvir a mesma história 15 vezes por noite. A melhor maneira de minimizar o desconforto relacionado ao tempo e à forma é a participação.

Adapte-se, para que se sinta bem e integrado ao contexto.   

Adaptar não é criar conceitos de diversão, modo de vida, moradia, etc., mas transferir seus conceitos formados e encaixá-los na cultura em que você se encontra. Depressão, sentimento de perda, saudades e sentimento de incapacidade nos primeiros meses possivelmente ocorrerão. Em algum nível alguns destes sintomas devem acontecer. Tenha paciência durante este período de adaptação, ore e peça que o Senhor o ajude a perseverar.

* Este texto é uma colagem de partes do texto de Ronaldo Lidório, com sua permissão. Veja e se desejar compre o texto em www.instituto.antropos.com.br/e-books Dialektos.pmd 103-105 26/09/2008, 14:38

3. SEM TER COMO RESPONDER

Uma das experiências mais esquisitas que já tive com línguas, e olha que eu adoro línguas, foi em Los Angeles. Eu e o Timóteo gostamos de passear, ver coisas diferentes, e fomos conhecer China Town. Achei tudo meio antigo, muitos dragões, coisas do tipo. Mas, gostamos de conhecer. Na saída, eu vi umas hortelãs crescendo na beira da calçada e resolvi pegar uns raminhos para um chá.

Duas chinesas mais velhas se aproximaram e despejaram sua reação em sons que para mim não faziam o menor sentido. Parecia que me excomungavam até a milésima geração! Talvez dissessem: “Sua diaba estrangeira! Como pode vir roubar nossa hortelã? Suma do nosso bairro, e não volte nunca mais!” Mas pode ser que, na verdade, diziam: “Essa hortelã era pra filhinha da nossa amiga. Está com seis meses de idade e queríamos que ela experimentasse! Plantamos há três meses, e quando as primeira folhinhas estavam bonitas, você vem e pega?”

E eu, parada, boquiaberta diante delas, poderia ter dito: “Lá no Brasil, meu país, a gente gosta de hortelã. É bom para um chá, especialmente com erva cidreira. Ajuda a levantar os ânimos! Isso me lembra da minha avó. Estou com saudades do Brasil, e já que estava na calçada, achei que não teria problema….

Poderia ter dito isso… Mas não pude, faltou a língua! Saí de fininho, bem sem graça.

Sei que vocês passam por situações de desentendimento em seus ministérios. É normal, e nem sempre é por falta da língua. Mas, sem a língua, até suas melhores intenções ficarão perdidas no mistério de sons ininteligíveis e palavras pensadas que nunca encontrarão expressão.

Por isso, invistam em conhecer a língua e a cultura, as expectativas e as intenções do povo a quem Deus os enviou! E que vocês jamais sejam pegos “sem ter o que responder”! Um abraço,

Marta Carriker
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