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Missionários "desertores"!!! - qual o principal motivo?

A euforia por missões estava grande no Brasil no começo da década de 1990. Igrejas por todo o país de extensão continental estavam organizando conferências missionárias com participação crescente. Artigos em publicações cristãs enfatizavam que os povos não alcançados em todo o mundo precisavam ser evangelizados.

Novas agências estavam sendo criadas e novos campos abertos em especial nas áreas mais carentes e resistentes do globo. O interesse pelo mundo muçulmano era especialmente grande. E as histórias iniciais de sucesso colocaram mais combustível no fogo missionário.

De repente, porém, começou a circular um relatório entre os líderes de missões no Brasil que teve o impacto de um balde de água fria. Sugeria-se que os missionários brasileiros eram "desertores", que desistiam rapidamente quando as coisas ficavam difíceis, e voltavam para casa.

Tentativas de descobrir a fonte desta "pesquisa" estranha foram infrutíferas. Mesmo assim os números citados começaram a se espalhar em todas as direções, sendo inclusive citados em uma sessão plenária do congresso nacional de missões em Caxambú - MG.

Os números não confirmados, eram de dar um frio na barriga: três em cada quatro brasileiros desistiam antes de completar cinco anos no campo missionário. De 5.000 missionários enviados, somente 1.000 ainda estavam no campo cinco anos depois.

O objeto de estudo era o "abandono do serviço missionário". O que nos surpreendeu foi a divisão por estado civil; 70% casados, 20% mulheres solteiras e 10% homens solteiros. A porcentagem do retorno é de 47% para os casados, 39% para as mulheres solteiras e 14% para os homens solteiros. Estávamos perdendo mais mulheres solteiras do que deveríamos.

As agências brasileiras mencionam algumas questões e motivos desse retorno em massa de missionários brasileiros:

1. Falta de sustento financeiro
2. Falta de compromisso
3. Problemas com colegas
4. Preparo inadequado
5. Auto-estima, stress e outras questões
6. Problemas no casamento
7. Falta de convicção da chamada

A grande surpresa

Mas a principal surpresa aqui foi a descoberta de que a principal área de problemas era "pessoal" - motivos mais relacionados com o caráter do missionário do que outras coisas. Esta constatação tem implicações importantes para os nossos programas de treinamento, e somos lembrados da importância da formação do caráter e o seu aperfeiçoamento, antes do trabalho missionário.

O  Caráter do missionário

É o termo que designa o aspecto da personalidade responsável pela forma habitual e constante de agir peculiar a cada indivíduo; esta qualidade é inerente somente a uma pessoa, pois é o conjunto dos traços particulares, o modo de ser desta; sua índole, sua natureza e temperamento. O conjunto das qualidades, boas ou más, de um indivíduo lhe determinam a conduta e a concepção moral; seu gênio, humor, temperamento; este sendo resultado de progressiva adaptação constitucional do sujeito às condições ambientais, familiares, pedagógicas e sociais. (Wikipédia)


Quando falamos de caráter do missionário, falamos de características que ele possui e serão enriquecidas com os princípios da Palavra e outras que serão geradas por esta mesma Palavra, considerando que o discípulo será sempre aquela pessoa que está aos pés do seu mestre/discipulador para ser ensinado, formado e treinado.


O que podemos dizer então sobre consolidação e o caráte é que na consolidação, o consolidador/discipulador tem a responsabilidade de trabalhar o caráter do consolidando/discípulo com o objetivo de imprimir nele o caráter de Cristo. Mas, como isso é possível? Vejamos três passos importantes para consolidar e forjar o caráter de Cristo no discípulo:


1. Levar o novo crente a aprender a viver a vida cristã não por emoção apenas, mas por convicção para que não desfaleça e não retroceda. Visa formar o caráter de Jesus nesse novo discípulo, firmá-lo na fé e lançar firmes fundamentos para o seu pleno desenvolvimento como um líder frutífero que haverá também de se reproduzir.


2. Pagar o preço de fazer consolidação e de ser consolidador de êxito. O processo de consolidação é iniciado logo após o novo convertido fazer sua decisão por Cristo e prossegue agora através de várias ações, e enfrentando dificuldades, objetivando a solidificação da obra redentora de Cristo na vida do novo crente.

3. O caráter real de uma pessoa não se conhece pelas suas ações mas sim por suas reações, diante de lutas, dificuldades, problemas, tensões, pressões, pensando nisso é que descobrimos durante os nossos dez anos de experiências na Base Missionária, que a ferramenta mais eficáz de conhecer e de lapidar caráteres humanos - é a disciplina nos horários e o trabalho físico e manual.  

4. O profeta Jonas é um exemplo nítido do missionário problemático e desertor da chamada de Deus. Vejamos o esboço de seu Livro:

Cap. 1 - Vemos o profeta confrontando a vontade de Deus
Cap. 2 - Vemos Deus confrontando a vontade do profeta
Cap. 3 - Vemos o profeta forçado a submeter-se à Deus
Cap. 4 - Vemos Deus descortinando o caráter  do profeta

I - Áreas da vida do profeta Jonas que necessitam ser trabalhadas por Deus: Cap. 4

1. Ódio, ressentimento  (vv. 1)
2. Frustação, soberba   (vv 2)
3. Covarde, deprimido  (vv 3)
4. Insensível, teimoso    (vv. 4)

II - Deus revela o lado oculto do caráter do profeta Jonas através de 4 veículos:

1. Fica na arquibancada para ver a desgraça dos outros (vv5) - (a cabana)
2. Faz sombra sobre os enfadados para conseguir seus objetivos (vv6) -  (a aboboreira)
3. Sua meta é ferir, machucar e até matar os companheiros (vv. 7) - (o verme)
4. Seu prazer é ver obreiros desmaiando e parando na obra (vv. 8) - (o vento)

Esta é uma realidade em nosso treinamento missionário. Nas salas de aulas diante dos professores, os alunos manifestam alegria e prazer, mas quando iniciam nos trabalhos manuais que a Base oferece a cada tarde, as coisas mudam completamente. Tudo que está embutido no caráter se manifesta nas reações dos candidatos às missões, coisas boas e más. Ai entra em ação o aconselhamento, a exortação pela Palavra, confrontando as distorções de caráter.

Depois de doze meses em nossa Base Missionária os alunos saem conscientes de que a virtude mais importante no campo missionário não é pregar bonito, curar os enfermos ou expulsar demônios, mas sim um caráter aperfeiçoado pelo Espírito Santo e  pela Palavra de Deus.

A Deus toda gloria.

Pr. Antonio Romero Filho

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