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Gardiner - o Pioneiro na Patagônia

GARDINER - PIONEIRO NA PATAGÔNIA



A VISÃO PERSEVERANTE

Os amigos que lhe haviam ajudado começaram a desanimar dizendo que era inútil gastar dinheiro num novo projeto missionário para a Patagônia. O Comitê propôs abandonar o projeto. “Qualquer que seja vossa determinação”, respondeu Gardiner com a firmeza de um herói, “tenho resolvido voltar ao Sul da América e dar volta a todas as pedras e provar todos os esforços para estabelecer uma missão entre os aborígines”. Ante esta firmeza, o Comitê resolveu continuar e Gardiner cruzou de novo o Atlântico acompanhado por um espanhol protestante chamado Federico González. Esta vez se introduziu no continente chegando até a Bolívia, onde um presidente liberal o recebeu amavelmente prometendo-lhe ajudá-lo. Mas novas dificuldades surgiram. Explodiu uma revolução e teve que voltar a seu país em busca de ajuda, mas todos lhe davam as costas e estavam surdos, porque lhes parecia que todos esses fracassos demonstravam que seus projetos eram irrealizáveis.

Mas Gardiner era um daqueles que não se dão por vencidos e em 1848 reaparece na Terra do Fogo em companhia de alguns outros companheiros e se estabelece em Puerto Pabellón, onde levantaram suas tendas. A oposição dos indígenas faz fracassar de novo esta tentativa e Gardiner se deu conta que o único meio de evangelizar essas ilhas era tendo “uma Missão Flutuante”, ou seja, um barco no qual viver e guardar as provisões, e onde somente baixariam para tratar com os indígenas. Isto significava ter que voltar outra vez a Inglaterra e enfrentar o desalento que dominava seus amigos da missão. Como era o único caminho a tomar, Gardiner voltou, propondo de novo seu projeto. No é necessário falar da frieza e do desgosto com que foi recebido. Mas Gardiner tomava mais força e seguia golpeando as portas que pareciam fechadas, até que conseguiu fazer-se ouvir.

Em setembro de 1850, em companhia de sete; três marinheiros chamados Pearse, Badcock e Bryant e o médico Ricardo Williams, que deixou sua profissão para consagrar-se ao bem dos selvagens; Juan Maidment, um jovem de ardor apostólico; Jose Erwin, carpinteiro de barcos e Allen Gardiner desembarcaram levando com eles dois pequenos barcos de aproximadamente oito metros de largura com seus correspondentes botes salva vidas para desembarcar.

As pequenas embarcações

A falta de fundos suficientes lhes haviam obrigados a conformar-se com essas pequenas embarcações no lugar do navio que necessitavam. Um dos barcos recebeu o nome de “Pioneer” e o outro “Speedwel”.


Chegando à Terra do Fogo, desembarcaram em Puerto Pabellón, mas a oposição dos indígenas lhes obrigou a regressar aos barcos, perdendo muitas provisões. As constantes tempestades que castigavam essas desoladas regiões inutilizaram o “Pioneer” a tal ponto que tiveram que colocá-lo em terra e com umas lonas serviu de habitação. A pesca na qual haviam confiado os missionários para terem alimentos não dava resultados e as armas que levavam para a caça não podiam ser utilizadas porque haviam esquecido a pólvora no navio que lhes haviam trazido. As provisões começaram a escassear e o navio que esperavam nunca chegava. A hora se fazia cada vez mais critica. Todos os dias pareciam anos para os sete heróis que já pressentiam que o fim seria morrer de fome entre os gelos do Sul.

O “Speedwell” fez uma viagem inútil ao Puerto Pabellón em busca de algumas provisões que haviam escondido. O momento era solene e com dores começavam a dar conta do desenlace da missão. Dentro de algumas garrafas puseram uma nota pedindo auxílio a quem as pudesse encontrá-las e as cobriram com pedras grandes sobre a qual escreveram estas palavras: “Escavem debaixo, sigam ao Porto Espanhol”. Março de 1851.

Allen Gardiner e Williams tinham o costume de escrever um diário com pormenores de suas vidas e isto possibilitou saber algo acerca de seus últimos dias como heróis pioneiros naquelas regiões.

O martírio

No mês seguinte em abril, ainda restavam algumas provisões para dois meses apenas. A fé em Deus nunca fraquejou. No diário de Williams podia ler estas palavras: “dormindo ou acordado, me sinto mais feliz do que se pode expressar a linguagem humana”. Allen Gardiner no dia de seu aniversário, no mês de junho escreveu: “Se desfaleço ou morro aqui, te rogo a ti oh! Senhor! Que levantes a outros e envie mais obreiros a esta seara”.

Badcock foi o primeiro que morreu pedindo a Williams que cantasse o hino que diz: “Levanta-te, alma minha”. Seis semanas depois morreu Erwin. Logo lhe seguiu Bryant. As mãos debilitadas de seus companheiros puderam, todavia cavar as sepulturas.

Os dias, 28 e 29 de agosto de 1851, todavia ficavam alguns com vida e Gardiner escrevia as seguintes palavras despedindo-se de sua filha: “Ele me tem guardado em perfeita paz... confio que a pobre Fuegia não será abandonada. Se tenho um desejo que expressar para o bem de meus camaradas é que a missão da Terra do Fogo seja prosseguida com vigor”. Em outra parte de seu diário se lêem estas palavras: “Ontem não comi nada. Bendito seja o meu Pai Celestial por suas bênçãos que tenho desfrutado: uma cama cômoda, nenhuma dor, nenhuma câimbra, ainda que impossibilitado de dar a volta sobre o meu leito”. As últimas palavras de seu diário são estas: “Grande e maravilhoso é o amor de meu bom Pai, para comigo. Ele me há guardado até aqui sem alimento para o meu corpo, mas sem sentir nem fome e nem sede”.

Os últimos dias de um herói

No dia 6 de setembro, Gardiner, todavia estava com vida, pois foi achada uma carta com esta data. Vinte dias depois o navio chamado “John Davison” conduzido pelo capitão Smyley, chegava ao Puerto Pavellón e guiado pelas mensagens das garrafas, dirigiu-se ao rio Cook e ali achou um cadáver dentro de um bote e outro na ribeira. “A cena era horrível ao extremo.” escreveu o capitão. Os dois capitães que foram comigo choravam como crianças. Livros, medicinas, ferramentas, tudo em fim, se encontrava espalhado pela praia.

Assim terminaram seus dias esses incomparáveis heróis. Coração nobre, firme e magnânimo, este exemplo de amor e fé, cujo anelo foi servir ao Senhor no terreno mais difícil de cultivar.

Quando as notícias chegaram à Inglaterra, a consternação se apoderou de todos os amigos da Missão. Se os cristãos fossem mais generosos e houvessem dado a Gardiner e a seus companheiros o navio que pediram, a história não contaria com esta página triste. Mas os cadáveres estendidos sobre as rochas nevadas da Terra do Fogo falaram com mais eloqüência que os lábios ardentes de Allen Gardiner. Assim resolveram cumprir o desejo do herói prosseguindo a Obra. Os donativos generosos começaram a chegar, e compraram um navio adequado que puseram o nome de “Allen Gardiner”. Um novo grupo de missionários estava pronto para a missão. Foi então que o reverendo George Pakennhan Despard assume a direção da Sociedade Missionária Patagônica e organiza uma nova cruzada para a Terra do Fogo.

Allen Gardiner no dia de seu aniversário, no mês de junho escreveu: “Se desfaleço ou morro aqui, te rogo a ti oh! Senhor! Que levantes a outros e envie mais obreiros a esta seara”.
 
Séculos depois, Deus respondeu a oração de Gardiner, enviando em 1981, para as terras geladas da Patagônia nos confins da terra, o missionário brasileiro, Antonio Romero Filho, sua esposa Marlene e seus filhos, Tania, Alessandra e David, pertencentes ao Ministério de Taubaté, presidido pelo Pr. José Ezequiel da Silva, que durante 20 anos esteve orando para Deus levantar missionários para a Argentina. Pastor Antonio Romero, foi pioneiro do Brasil na Patagônia Sul da Argentina, estabelecendo residencia em Comodoro Rivadavia.
 
Hoje a Patagônia conta com dezenas de missionários do Ministério de Taubaté, com dezenas de Templos construídos, tudo isso para continuar  honrando à memória daqueles que deram suas vidas e morreram congelados nas frias praias da Terra do Fogo. A Deus toda glória.


 Terra do Fogo - Patagônia - Sul da Argentina
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Item Reviewed: Gardiner - o Pioneiro na Patagônia Rating: 5 Reviewed By: Pr. Antonio Romero Filho